Ler vai além de decifrar palavras. Em muitos contextos, ler é resistir, reconstruir e se reconhecer como sujeito. É a partir dessa perspectiva que o Instituto Positivo lança o terceiro episódio do Programa Ler Transforma, recebendo Catia Lindemann, ativista da biblioteconomia social e presidente da Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais.

Depois de conversas inspiradoras sobre literatura, infância e saúde mental, o Ler Transforma aprofunda o olhar sobre a leitura como direito humano, instrumento de dignidade e estratégia de transformação social, especialmente em contextos de extrema vulnerabilidade.

Da biblioteconomia ao compromisso social

Logo no início da entrevista, Catia compartilha sua trajetória pessoal e profissional, explicando como sua história de vida a levou à biblioteconomia e, mais tarde, à formulação de um conceito inédito no Brasil: a biblioteconomia social.

Mais do que organizar acervos, seu trabalho parte da ideia de que bibliotecas precisam estar próximas das pessoas, inseridas nos territórios e conectadas às realidades locais. Para ela, o acesso ao livro não deve ser um privilégio, mas uma presença cotidiana, especialmente onde a exclusão costuma ser regra.

Bibliotecas prisionais: leitura como liberdade possível

À frente da Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais, Catia atua na defesa e implementação de bibliotecas em unidades prisionais de todo o país. No episódio, ela fala sobre como esses espaços se tornam ambientes de escuta, acolhimento e reconstrução de identidade. Catia conta ainda como essa atuação se entrelaçou à sua vida pessoal ao longo de diferentes fases, atravessando escolhas e transformações que ajudaram a moldar quem ela é hoje.

A leitura, nesse contexto, não aparece apenas como atividade educativa, mas como estratégia de amparo emocional, resgate da autoestima e reconexão com a própria humanidade. Histórias que atravessam muros e ajudam pessoas privadas de liberdade a reencontrarem sentido, perspectiva e voz.

Mediação de leitura e bibliotecas itinerantes

Outro ponto da conversa é o trabalho de Catia como mediadora de leitura em bibliotecas itinerantes, que percorrem diferentes regiões do Brasil levando livros a comunidades em situação de extrema vulnerabilidade social.

Ela destaca que formar leitores vai além de distribuir livros: envolve escuta, vínculo, presença e afeto. Envolve criar experiências que despertem o prazer de ler, respeitando tempos, trajetórias e contextos.

Nesse processo, bibliotecários, educadores e mediadores se tornam agentes culturais capazes de articular leitura com outras linguagens como o teatro, a oralidade e a memória coletiva.

Leitura, autoestima e formação humana

Ao longo da entrevista, Catia reforça uma ideia potente: a leitura é estruturante da formação humana, mas, em contextos de vulnerabilidade, ela pode ser também uma estratégia concreta de cuidado e reconstrução.

Ao compartilhar histórias reais de pessoas que tiveram suas trajetórias impactadas pela literatura, ela mostra como o livro pode abrir caminhos onde antes só havia silêncio, medo ou invisibilidade.

Ler Transforma: leitura como ponte entre pessoas e territórios

O Ler Transforma é uma série de entrevistas do Instituto Positivo dedicada a refletir sobre o papel da leitura na vida das pessoas e da sociedade. Integrando a nova frente de atuação do Instituto voltada ao incentivo à leitura literária, o programa reúne autores, especialistas e mediadores que enxergam o livro como espaço de encontro, diálogo e transformação.

O episódio com Catia Lindemann amplia esse horizonte ao mostrar que leitura também é política pública, direito cultural e compromisso coletivo.

Assista ao episódio completo

O terceiro episódio do Programa Ler Transforma já está disponível no canal do Instituto Positivo no YouTube.
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Ler transforma, inspira e encanta. Quando o livro chega onde antes não chegava, a transformação é ainda maior.

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