Trabalhar de forma colaborativa é uma maneira de os municípios enfrentarem juntos os desafios da Educação, e o mecanismo dos Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADEs) vem se mostrando, cada vez mais, um caminho promissor para alcançar melhorias na qualidade e na equidade territorial.

Um ADE tem como premissa o trabalho em Regime de Colaboração entre municípios de um território com um mesmo objetivo: criar estratégias que ajudem a melhorar os indicadores da Educação básica da região, com foco no trabalho cooperativo, na troca de experiências, no empoderamento dos secretários municipais de Educação e em promover visibilidade e sustentabilidade aos projetos educacionais.

Apesar de ser um caminho promissor, o Arranjo ainda é um conceito relativamente novo e pouco explorado. Para facilitar o entendimento sobre como acontece a implantação de um ADE e quais tarefas devem ser contempladas nessa fase, contamos a seguir um pouco da trajetória do ADE Litoral Paranaense, iniciativa formada por sete municípios e que está sendo implantada neste ano com o apoio do Instituto Positivo.

Em primeiro lugar, por que o litoral paranaense?

Visando contribuir com o desenvolvimento da Educação pública do estado em que nasceu o Grupo, o Instituto Positivo (IP) iniciou em 2021 a seleção de um território para apoiar a implantação do primeiro ADE do Paraná. Esse processo de seleção levou quase um ano e foi realizado em duas partes.

A primeira fase foi quantitativa, na qual foram analisados mais de oito mil dados e indicadores públicos dos 399 municípios do Paraná. Após essa primeira avaliação, o IP priorizou quatro territórios que hoje apresentam dados em fase de desenvolvimento, e três deles demonstraram interesse em avançar para a segunda fase.

Nesta última etapa, o Instituto Positivo realizou uma visita técnica nas três regiões e entrevistou os Dirigentes Municipais de Educação (DMEs), buscando conhecer a dinâmica da região e a atuação das associações de municípios desses locais para observar o nível de colaboração já instalado no território – afinal, é essa relação de colaboração e vínculos entre os DMEs que promoverá a base para um programa estruturado, capaz de progredir ao longo dos anos.

Por fim, a Associação dos Municípios do Litoral do Paraná (Amlipa) foi a escolhida para receber apoio técnico do Instituto Positivo no desenvolvimento do novo ADE pelo período mínimo de três anos. O ADE Litoral Paranaense é formado por sete municípios – Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná – que uniram forças em prol de uma Educação pública de qualidade.

Primeiros passos da implantação

As principais premissas do trabalho de um Arranjo são a colaboração e a troca de experiências. É importante que o grupo entenda e viva essa cooperação porque é através dela que o programa vai se fortalecer. Foi assim que se iniciou o ADE Litoral Paranaense: mobilização e sensibilização sobre a importância da colaboração e como ela precisa estar presente no dia a dia.

Com a cultura colaborativa enraizada na equipe do ADE, é importante entender qual será o norte do trabalho. No caso do ADE Litoral Paranaense, foi acordado entre o Instituto Positivo e as equipes das secretarias municipais envolvidas que a atuação do Arranjo seguiria dois pilares: o primeiro, de desenvolvimento da Educação pública, e o segundo, de fortalecimento dos gestores educacionais e equipes pedagógicas.

Entendendo o território

O principal objetivo do trabalho de um ADE é impactar positivamente a qualidade da Educação no território. Para que esse impacto seja efetivo, é preciso entender onde estão os problemas e, assim, buscar as soluções. Por isso, a etapa do diagnóstico é fundamental, já que ajuda a entender as fragilidades e o grau de urgência delas.

No ADE Litoral Paranaense, a fase de diagnóstico durou três encontros. Nela os Dirigentes Municipais da Educação, junto com suas equipes técnicas, analisaram os principais indicadores públicos educacionais do território e qualificaram, debateram e identificaram as principais fragilidades da região.

 

Conhecimento como ponto de partida

Conhecer algumas iniciativas de colaboração e a trajetória delas pode nortear e inspirar a implantação de novos projetos. Pensando nisso, o Instituto Positivo está produzindo uma série de 13 e-books que contam a história dos ADEs consolidados no Brasil.

A flexibilidade do Arranjo permite que ele seja implantado em territórios de diversos tamanhos ou realidades socioeconômicas, e isso pode ser facilmente observado nas publicações da série, que trazem iniciativas de três regiões do país. Acesse gratuitamente o material clicando aqui.